O “meme da Barbie” tem uma conotação racial que alimenta o que há de pior

Foto: Alexandra München / Pixabay
Foto: Alexandra München / Pixabay

Desde que Jair Bolsonaro apareceu nas pesquisas eleitorais com reais chances de vitória, a esquerda nacional se deu a fazer piada com a boneca Barbie. Já há no mercado brinquedos dos mais variados tons de pele, mas o “meme” explorou justo o clássico, o da loira de olhos claros. De uma maneira geral, a punch line atribui à figura alguma característica fascista.

Há uma nítida conotação racial no protesto. Que muitos entendem aceitável, pois esta seria uma raça que sempre teria gozado de algum privilégio. Mas é justamente esse entendimento que tem feito (re)nascer na Europa o que pode ser resumido como uma espécie de “orgulho branco”. E que tentam importar para o Brasil – em verdade, já importaram várias de suas bandeiras.

Em outras palavras, a piada alimenta, ainda que com migalhas, o monstro que tenta derrotar.

É difícil imaginar que, por esse caminho, algum objetivo saudável será atingido. A direita passou os últimos anos se vendendo como um soldado do politicamente incorreto. Mas trata-se de uma postura fácil de se manter quando oposição. Uma vez no poder, pode enxergar no chiste uma justificativa para uma radicalização maior da própria visão de mundo, ou algo que justifique um rebote de igual teor. E aí seria péssimo para todos os envolvidos.

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