Bolsonaro republica ‘fake news’ e ataca repórter do Estadão

Sincronia: um blog publica, o Presidente republica. Foto: Rawpixel/Pexels

Sincronia: um blog publica, o Presidente republica.

Foto: Rawpixel/Pexels

O PRESIDENTE JAIR BOLSONARO é o primeiro político a não aceitar a própria vitória na eleição. Continua sua guerra permanente e insaciável contra uma lista interminável de adversários.

No começo da noite deste domingo (10), publicou uma ‘fake news’ contra a repórter Constança Rezende, do Estadão. Conforme o jornal, no dia 23 de janeiro ela teve uma conversa em inglês “com uma pessoa que se apresentou como Alex MacAllister, suposto estudante interessado em fazer um estudo comparativo entre Donald Trump e Jair Bolsonaro”.

É fundamental para a arapuca que a conversa tenha sido em inglês. Ficou mais fácil enganar as hordas bolsonaristas, já que é é possível transcrever a conversa da forma que bem entenderem.

Neste domingo (10), um dos blogs que fazem assessoria de imprensa para Carlos Bolsonaro usou da conversa para publicar uma notícia escandalosamente falsa. Segundo o texto, a repórter teria dito que “a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo”. Ocorre que ela nunca disse nada disso, conforme fica claro nos próprios áudios publicados na matéria (apesar do inglês truncado).

Com a bola levantada pelos assessores, o Presidente pôde cortá-la, reproduzindo em seu Twitter trechos da entrevista, acompanhados de uma tenebrosa trilha sonora. O Presidente escreveu: “Constança Rezende, do “O Estado de SP” diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o Impeachment do Presidente Jair Bolsonaro”. É algo absolutamente falso: os áudios nada dizem sobre “querer” ou qualquer intenção. Ela diz, isso sim, “acho que MINHA vida está destruída”. Também diz que seria uma frustração para ela se as investigações não fossem adiante, por suspeitar ser caso de impeachment, o que é mais do que plausível.

Como se não bastasse, o vídeo publicado pelo Presidente ainda diz que o pai de Constança também é jornalista, e trabalha em O Globo. É uma espécie de falsa equivalência entre famílias, por parte de quem assiste muito Game of Thrones.

Recentemente, o Estadão passou mais de 3 300 dias sob censura no caso da Operação Boi Barrica. Ela só foi derrubada em novembro de 2018. O jornal ficou proibido de publicar informações no âmbito da investigação envolvendo o empresário Fernando Sarney. O Estadão também sobreviveu à censura na Era Vargas e na ditadura militar. Deve reagir de acordo.

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