Em 2013, Bolsonaro criticou a vinda dos parentes de médicos cubanos

Foto: Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados

Jair Bolsonaro tentou defender-se da confusão armada junto ao Mais Médicos dizendo ter apreço pelos direitos humanos dos profissionais cubanos. Em dado momento, justificou-se:

Imaginou ficar longe dos seus filhos por um ano? É a situação de praticamente escravidão que estão sendo submetidos os médicos e as médicas cubanas no Brasil. Já imaginou confiscar 70% do seu salário?

‘É a situação de praticamente escravidão’, diz Bolsonaro sobre médicos cubanos

Mas Bolsonaro sabe que o artigo 18 da lei 12.871 diz que “os dependentes legais do médico intercambista estrangeiro poderão exercer atividades remuneradas, com emissão de Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) pelo Ministério do Trabalho e Emprego“. Tanto que protestou na tribuna da Câmara Federal em 8 de agosto de 2013, quando a ideia ainda se encontrava em uma media provisória do governo Dilma:

Prestem atenção! Está na medida provisória: cada médico cubano pode trazer todos os seus dependentes. E a gente sabe um pouquinho como funciona a ditadura castrista. Então, cada médico vai trazer 10, 20, 30 agentes para cá. Podemos ter, a exemplo da Venezuela, 70 mil cubanos aqui dentro! E um detalhe, Marquezelli: esses agentes podem adquirir emprego em qualquer lugar do Brasil com carteira assinada, inclusive cargos em comissão. Olhem o perigo para a nossa democracia! (…) Isso é um crime. Vocês vão ter dezenas de milhares de cubanos aqui dentro. Aquela ideia de pré-64 não sai da cabeça desses retrógrados petistas!”

Câmara Federal – Breves Comunicações

Portanto, ou o presidente eleito esqueceu-se do discurso inflamado que proferiu naquele inverno, ou cinicamente explora a falta de memória da opinião pública para justificar o injustificável.

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