Os recados que a pesquisa CNT/MDA mandou ao Governo Bolsonaro

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

A “blitzkrieg” dos primeiros 50 dias, ao que tudo indica, esteve restrita às bolhas virtuais dos que se interessam por política mesmo no período de férias.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

A aprovação de Jair Bolsonaro em 57% soa uma “margem de erro” do segundo turno da eleição que fez dele presidente da República. A avaliação positiva do Governo Bolsonaro em 39% lembra os 39% de votos recebidos – quando se considera, além dos válidos, o total de eleitores aptos a participarem do pleito.

É um início tímido se comparado com FHC, Lula e Dilma Rousseff. Mas dentro de uma rara e comemorável normalidade, ao se observar o contexto de uma economia que ainda não se recuperou por completo. Entretanto, a pesquisa CNT/MDA ofereceu alguns alertas valiosos.

O mais caro à opinião pública, por exemplo, não é a segurança (34%), mas a saúde (42%), tema que Bolsonaro pouco abordava em campanha. A aprovação do decreto com a flexibilização da posse de arma é minoritária. O país segue dividido a respeito da reforma da Previdência. Só o pacote de Sérgio Moro surtiu um efeito inegavelmente positivo.

Casos de família

A maioria dos brasileiros ficou a par da queda de Gustavo de Bebianno. Se metade deste grupo achou justa a exoneração, três quartos notaram a participação de Carlos Bolsonaro no episódio, fatia idêntica à que se diz contra interferências familiares na política.

Se 55% do total confiam no presidente, o vice conta com a confiança de apenas 22%, parcela menor do que os 27% que desconfiam de ambos. Portanto, não havia motivo para Bolsonaro, que se recuperava de um terceiro e delicado procedimento cirúrgico, antecipar tanto o retorno aos despachos.

Afinal, a gestão se cercou de grupos que arrebanham multidões. Igreja, forças policiais e Justiça são as instituições mais confiáveis para 84% da população. A imprensa, tão atacada pelo presidente, não chega a 4 pontos. Mas ainda demanda algum respeito, uma vez que Governo (2%)
e Congresso (1%) encontram-se em situação ainda pior.

Há também recados à oposição: a “blitzkrieg” dos primeiros 50 dias, ao que tudo indica, esteve restrita às bolhas virtuais dos que se interessam por política mesmo no período de férias. O barulho fez a estrutura governamental estremecer. Mas as bases são sólidas. Há muito trabalho a ser feito. De preferência, construtivo.

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