Bebianno: Carlos Bolsonaro fez ‘macumba psicológica’ na cabeça do pai

Bebianno: a culpa foi do vereador e episódio está encerrado. Foto: Reprodução/Jovem Pan

Bebianno: a culpa foi do vereador e episódio está encerrado.

Foto: Reprodução/Jovem Pan

EM ENTREVISTA à Jovem Pan nesta terça (19), o ex-ministro Gustavo Bebianno culpou o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) por sua demissão, disse que confia no Presidente, e deu o episódio por encerrado (assista na íntegra).

Sobre Carlos Bolsonaro

Bebianno afirmou que Carlos “tem um nível de agressividade acima do normal” e que no Rio de Janeiro “é conhecido como destruidor de reputações”. Ele ainda disse que, para fazer agressões na internet, o vereador também usa “perfis de outras pessoas”.

O ex-ministro considera que Carlos “tem um amor muito bonito pelo pai dele”, mas “precisa entender que não vamos construir um novo Brasil com base no ódio”. Contou que, antes da última cirurgia do Presidente, já no hospital, Carlos pôs a cabeça em seu ombro e chorou.

Bebianno considera que Carlos fez “uma macumba psicológica” na cabeça do pai durante sua internação no Einstein, semeando um clima de paranoia, cheio de inimigos. Em resposta ao jornalista José Maria Trindade, foi taxativo: “eu fui demitido, Zé Maria, pelo Carlos Bolsonaro”.

Divulgação dos áudios

Antes da conversa, o jornalista Augusto Nunes assumiu responsabilidade pela divulgação dos áudios no site de Veja, para a qual também trabalha: “a responsabilidade pela divulgação dos áudios não é do Bebianno. É minha”. A matéria em Veja com os áudios não é assinada, o que ocorre às vezes em publicações de natureza mais ‘institucional’ dos veículos.

Encontro com a Globo

Bebianno afirmou que não entendeu os ataques que recebeu por marcar uma reunião com Paulo Tonet Camargo, vice-presidente de relações institucionais do Grupo Globo, já que o executivo já tinha visitado dois ministros palacianos, ambos generais: Carlos Alberto dos Santos Cruz, em 9 de janeiro, e Augusto Heleno, em 6 de fevereiro. “Para se governar um País do tamanho do Brasil, uma boa relação [com a imprensa] é sempre saudável. Por que criar um estado de beligerância?”, questionou o ex-ministro.

O encontro entre Tonet e Bebianno foi cancelado por ordem de Bolsonaro, emitida ainda do hospital.

Radicalismo

Bebianno emitiu vários recados à militância mais agressiva das redes sociais: “esse radicalismo na extrema-direita precisa acabar”, afirmou. Também chamou Carlos Bolsonaro a “ter noção da liderança que exerce”.

Itaipu

Bebianno confirmou que Bolsonaro lhe ofereceu um cargo em Itaipu, com salário de R$ 1,1 milhão por ano, mas recusou. “Eu perderia a minha dignidade”. Sobre postos em embaixadas, disse que isso foi cogitado, mas não oferecido.

Candidaturas-laranja do PSL

Sobre as candidaturas-laranja cuja divulgação em tese deu ínicio à crise, Bebianno minimizou. Afirmou que a legislação atual “é uma armadilha”, já que os partidos políticos correm para preencher a cota de 30% de candidatas mulheres. Disse que não é ilegal um dirigente partidário convidar quaisquer mulheres – “namorada, avó, tia do café” – para satisfazer o critério. Acrescentou que cabe aos chefes dos diretórios estaduais formarem as chapas, isentando Bolsonaro, o presidente Luciano Bivar e ele próprio de qualquer responsabilidade.

No entendimento de Bebianno, a Folha tratou de forma diferente os casos de Minas Gerais e Pernambuco. Em Minas, as candidaturas foram coordenadas por Marcelo Álvaro Antônio, hoje ministro do Turismo. Em Pernambuco, por Luciano Bivar. Como Bivar não é ministro, entende Bebianno, foi necessário envolver o nome dele [Bebianno] para tentar atingir o Presidente.

Já no fim da entrevista, Bebianno foi mais lírico:

“Vim aqui com dor no coração, ainda estou catando os pedaços de mim. Mas era necessária essa vinda. A divulgação dos aúdios bota um ponto final nisso tudo. Não há porque haver especulação de homem-bomba. Esse assunto morre por aqui, está tudo esclarecido”.

NOTA: Versão anterior deste texto afirmava que Bebianno disse ‘macumba ideológica’. O correto é ‘macumba psicológica’. Corrigimos às 12h11 desta quarta-feira (20).

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