Deputado diz que, sem golpe de 64, Estadão sofreria censura

Sem a ditadura militar, não teria havido a censura da ditadura militar. Foto: Reprodução/Estadão

Sem a ditadura militar, não teria havido a censura da ditadura militar.

Foto: Reprodução/Estadão

O DEPUTADO FEDERAL Carlos Jordy (PSL-RJ), vice-líder do governo na Câmara, publicou um interessante exercício de lógica na noite desta segunda-feira (25).

Respondendo a uma notícia do Estadão, Jordy escreveu:

“Golpe? Contra-revolução de 64. Caso o Congresso não atendesse o pedido da população para derrubar Jango, hoje seríamos um Cubão e o Estadão nem existiria, ou seria um jornal estatal que só poderia falar bem do governo comunista”.

Bom, na vida real ocorreu o golpe de 64, e o Estadão sofreu censura pela ditadura militar. Ela começou em 13 de dezembro de 1968, dia do AI-5, quando o general Sílvio Correia de Andrade mandou recolher o jornal das bancas por causa do editorial Instituições em frangalhos, o último escrito por Julio de Mesquita Filho.

Posteriormente, funcionários da Divisão de Diversões Públicas da Secretaria Estadual de Segurança de São Paulo foram escalados para a tarefa de censurar o jornal. Depois, os comunicados sobre o que não poderia ser publicado passaram a ser feitos por telefone ou por bilhetes em papel sem timbre. Proibido também de deixar em branco o espaço do material cortado, o Estadão passou a preencher os vazios com despachos judiciais, cartas, poemas e receitas.

Segundo Jordy, o golpe de 64 livrou o Estadão de tudo isso.

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