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Ministério da Economia proposto por Bolsonaro deu errado com Collor

Tocado por Zélia Cardoso, o Ministério da Economia legou ao país uma das piores recessões

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Ministério da Economia entregou poderes inéditos a Zélia, e legou uma recessão brutal. Foto: Marcello Casal Jr.
Ministério da Economia entregou poderes inéditos a Zélia, e legou uma recessão brutal. Foto: Marcello Casal Jr.

CONFORME DESTACOU Andréia Sadi no G1, o programa de governo de Jair Bolsonaro promete a criação de um Ministério da Economia. A ideia é condensar em uma única pasta os poderes que atualmente se distribuem entre as da Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio. A proposta surge na página 53 sob o intertítulo de “Reorganização da Área Econômica“:

“A área econômica terá dois organismos principais: o Ministério da Economia e o Banco Central, este formal e politicamente independente, mas alinhado com o primeiro. Para atender ao objetivo de enxugamento do Estado, mas, também, para garantir um comando uno e coeso para a área, o Ministério da Economia abarcará as funções hoje desempenhadas pelos Ministérios da Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio bem como a Secretaria Executiva do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos). Além disso, as instituições financeiras federais estarão subordinadas ao Ministro da Economia.”

Mas a iniciativa não é inédita. Já foi testada justamente no primeiro governo da redemocratização. E com resultados para lá de indesejados. No Saga Brasileira, livro lançado por Miriam Leitão em 2011, a iniciativa do governo Collor foi relembrada. E a semelhança com o programa de Bolsonaro impressiona – os ministérios condensados eram exatamente os mesmos.

“Fernando Collor de Mello, vitorioso na eleição de 1989, primeira eleição para presidente da República em 29 anos, não estava ligado aos partidos tradicionais. Além disso, sua retórica de relação direita com as massas, seu voluntarismo, seu gestual que lembrava governantes autoritários assustavam. Ele teve muita dificuldade para formar equipe na área econômica. Concentrou os poderes dos ministérios da Fazenda, Planejamento, Indústria e Comércio num superministério. O da Economia. Para esse órgão turbinado nomeou a primeira economista que o apoiara quando a campanha ainda era uma inconsistente aventura, que havia feito trabalho de assessoria para ele no governo de Alagoas.

Zélia Cardoso de Mello, aos 36 anos, com alguma experiência no serviço público, mediana formação acadêmica e espantosa fragilidade emocional, virou superministra.”

Também vale destaque a trajetória de Zélia Cardoso de Mello, uma rara economista que apoiou um presidenciável de partido nanico, mas findaria convertida em ministra com poderes inéditos na Esplanada. Esse é basicamente o caminho que Paulo Guedes tem percorrido junto ao PSL para formar um governo de articulação complicada.

A equipe econômica de Zélia não conseguiu ficar dois anos no cargo. A própria “superministra” caiu após 14 meses de trabalho, legando ao país uma recessão que só seria superada pelo desastroso governo Dilma.

O Ministério da Economia revelou-se uma ideia ruim porque trancafiava numa mesma sala interesses para lá de conflituosos. E porque concentrou poder demais em mãos para lá de inexperientes. Três dias após o afastamento de Collor pelo processo de impeachment, foi extinto, dando nova vida às três pastas que substituíra dois anos antes.

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