Em 4ª versão da história, expurgo no MEC ‘nunca existiu’

Após expurgo (ou não), MEC pode mudar o nome para Ministério da Verdade. Foto: Viktor Forgacs/Unsplash

Após expurgo (ou não), MEC pode mudar o nome para Ministério da Verdade.

Foto: Viktor Forgacs/Unsplash

ALGUMA COISA ACONTECE no MEC, mas, baseando-se nos textos de Olavo de Carvalho, fica difícil entender o quê.

Nesta segunda-feira (11) foi publicada a exoneração de Ricardo Wagner Roquetti, coronel-aviador da reserva e agora ex-diretor de programa. Ele era apontado pelos olavistas como ‘eminência parda’ do ministro Vélez Rodríguez e uma espécie de Cardeal Richelieu dos milicos, liderando um golpe interno para expulsar os alunos de Olavo e aumentar a influência dos militares na pasta.

Também saíram hoje do ministério outras cinco pessoas, entre elas Silvio Grimaldo, aluno de Olavo de Carvalho que publicou vários posts no Facebook sobre o que ele mesmo chamou de “expurgo de alunos do Olavo de Carvalho do MEC”. Grimaldo publicara no fim de semana que foi ele quem pediu demissão.

Olavo e seus alunos apresentaram três versões sobre o expurgo:

  1. Foi uma manobra dos militares, na qual aproveitaram para jogar nos olavetes a culpa pela ideia dos ‘vídeos do Hino’, que na verdade teria sido da caserna;
  2. Foi uma forma de impedir a chamada ‘Lava-Jato da Educação’, inclusive com consequências na Bolsa de Valores;
  3. Foi tudo ideia do coronel-aviador Roquetti para aumentar sua influência no MEC.

Um elemento curioso em todos os textos de Olavo e de Silvio Grimaldo: sempre pouparam o ministro Vélez Rodríguez. Qualquer culpa estaria com o poderoso e influente coronel-aviador Roquetti.

Pois muito bem. Olavo de Carvalho, que na madrugada de sexta-feira (8) pediu aos seus próprios alunos que saíssem do governo federal, agora deu um giro de 180 graus e quer que o ministro demita todos os funcionários indicados por Roquetti.

Tem mais. Olavo quer atribuir ao coronel Roquetti as exonerações assinadas pelo ministro no Diário Oficial:

E tem mais! Olavo agora publica que o expurgo nunca aconteceu, e se orgulha de que seus alunos o desobedeceram – afinal, apenas um teria deixado o cargo no governo:

A informação é falsa, já que a portaria de sexta-feira (8) trouxe quatro exonerações, sendo pelo menos uma de um fã de Olavo.

A maluquice é a seguinte: a força política dos olavetes tem que ser inversamente proporcional à de suas ideias. Se o coronel Roquetti era tão fraco, e eles, fortes, então a análise estava errada. Mas se o coronel fosse forte como eles diziam, então o expurgo teria acontecido com força total…

O romance 1984 inclui o Ministério da Verdade, cujos funcionários têm a responsabilidade de reescrever relatos e publicações. Pelo jeito, será preciso mudar o letreiro na fachada do MEC.

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