Gráfica que pediu falência foi homenageada pelo MEC

A RR Donnelley imprimiu todas as edições do "novo Enem" implementado por Haddad. Foto: Pixabay

A RR Donnelley imprimiu todas as edições do “novo Enem” implementado por Haddad.

Foto: Pixabay

A GRÁFICA RR Donnelley, que imprimiu todas as edições do Enem desde 2009, foi homenageada em novembro pelo Inep, o braço do MEC que organiza a prova. Nesta segunda (1º), a Folha noticiou que a filial brasileira da empresa entrou com pedido de autofalência na 1ª Vara Cível de Osasco (SP).

A RR Donnelley é uma multinacional americana, com sede em Chicago. Suas ações negociadas na Bolsa de Nova York estão em queda há mais de dois anos. Em setembro de 2016, eram negociadas na faixa dos 25 dólares; hoje, fecham a menos de 5 dólares.

A primeira versão do Enem reformulado por Haddad foi impressa em 2009 na Gráfica Plural, pertencente ao Grupo Folha. Naquele ano, bandidos roubaram cadernos de prova e tentaram vendê-los ao Estadão, que denunciou o crime em reportagem. Essa história é contada com mais detalhes no livro O roubo do Enem, da jornalista Renata Cafardo.

Com a prova cancelada por causa da reportagem do Estadão, foi preciso produzir e imprimir outra, emergencialmente. Essa tarefa coube à RR Donnelley, que desde então fez todas as edições.

Várias delas apresentaram problemas. Em 2010, erros de impressão: parte das provas amarelas chegou com várias questões duplicadas ou ausentes, e o cabeçalho do cartão de resposta trazia invertidos os títulos “ciências da natureza” e “ciências humanas”. Na época, a empresa alegou que a manutenção de sigilo impediu a revisão das provas.

Em 2011, novo problema, mas este não pode ser atribuído à gráfica. O MEC realiza “pré-testes” para calibrar a dificuldade das perguntas. Um colégio particular de Fortaleza (CE) distribuiu cópias do pré-teste para seus alunos, alguns dos quais publicaram nas redes sociais que as perguntas do Enem eram idênticas ao material que o professor tinha passado antes. Esse furo de reportagem foi do jovem Cedê Silva, no Estadão.

Após uma guerra de decisões jurídicas, as 14 questões idênticas foram anuladas apenas para os 639 alunos do 3° ano do Colégio Christus.

Em 2013, o professor do Christus que distribuiu o “simulado” foi condenado a seis anos de prisão por comprometimento de conteúdo sigiloso de concurso público e estelionato. Três anos depois, forém, foi inocentado pelo TRF da 5ª Região.

A Agência enviou perguntas em inglês para a assessoria de imprensa da matriz da gráfica nos EUA, mas recebeu uma resposta em português com a nota oficial já divulgada no Brasil.

De volta à homenagem. Em novembro de 2018 o Inep exibiu em primeira mão o documentário Enem 20 anos: um Exame do tamanho do Brasil. O diretor de marketing da RR Donnelley, Amilton Garrau, contribuiu com um depoimento, que você pode assistir abaixo:

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