Com Ozempic, mulheres arrumam emprego novo e homens largam namorada, mostra estudo

Foto: kaboompics.com/via Pexels

Um estudo preliminar da professora Rebecca Diamond, do Departamento de Economia de Harvard, mostra os impactos sociais do uso dos medicamentos GLP-1, as famosas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy.

O rascunho foi publicado nesta segunda (22) no site da pesquisadora, e ainda não publicado em revista científica.

Diamond usou dados do Understanding America Study, uma pesquisa contínua mantida pela Universidade do Sul da Califórnia.

Até o fim de 2024, conta ela, 10% dos adultos haviam começado a usar medicamentos GLP-1, e 6% das mulheres haviam iniciado o uso especificamente para perder peso.

As canetas emagrecedoras, sustenta ela, criaram “um novo cenário empírico”, ou seja, uma espécie de experimento acidental, permitindo comparar quem usou com quem não usou.

“Elas geram uma grande perda de peso em uma população mais ampla e sem cirurgia, tendo se difundido em um período no qual o acesso era limitado por fatores como custo, cobertura de planos de saúde, receita médica e escassez de medicamentos”.

Assim, ela comparou pessoas que iniciaram o uso de GLP-1 para perder peso com aquelas que gostariam de iniciar o tratamento, mas ainda não o fizeram.

A pesquisa usou as respostas de 9.758 pessoas consultadas, sendo 5.922 mulheres e 3.836 homens. As respostas foram registradas entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025.

Entre as mulheres, 715 já tinham usado caneta emagrecedora; entre os homens, 315.

A conclusão: as gordinhas solteiras arrumaram novos relacionamentos e empregos depois de perderem peso.

“Entre as mulheres que estavam solteiras no início [do uso da caneta], a probabilidade de estarem casadas ou vivendo com um parceiro aumenta 18 pontos percentuais no geral, e 29 pontos percentuais após seis ou mais trimestres. Esse aumento ocorre de forma gradual à medida que o peso é reduzido. Mulheres que não estavam empregadas no início do estudo também ingressam no mercado de trabalho. Sua taxa de emprego aumenta 13 pontos percentuais no geral, e 27 pontos percentuais após seis ou mais trimestres, e a carga horária semanal [de trabalho] cresce quase 10 horas no horizonte de tempo mais longo. Grande parte desse aumento no emprego decorre da saída da situação de desemprego, e não da saída da aposentadoria ou de uma condição de invalidez”, escreveu.

Tem mais. “Entre as mulheres que já tinham um parceiro no início do processo, o estado civil e a separação ou divórcio permanecem essencialmente inalterados. Também não encontrei evidências de ascensão profissional entre as trabalhadoras já empregadas. Mulheres que já estão empregadas não aumentam a carga horária, a renda per capita do domicílio nem a frequência de trocas de emprego. Pelo contrário, as mudanças de empregador diminuem, possivelmente devido ao desejo de manter o acesso a um plano de saúde que cubra esses medicamentos”, conclui.

Ou seja: para as mulheres já casadas ou empregadas, a caneta emagrecedora não teve impactos além da perda de peso em si.

Para Diamond, a perda de peso entre as mulheres “altera os resultados precisamente naqueles aspectos em que o peso corporal visível deve afetar a primeira impressão” – para um empregador ou paquera que ainda não a conhecia.

Entre os homens, a perda de peso foi semelhante às das mulheres, mas Diamond não encontrou efeitos na renda ou no emprego.

No entanto, Diamond observou um aumento de 6,8 pontos percentuais na proporção de homens que deixam suas parceiras iniciais, índice que sobe para 12,1 pontos percentuais após mais de 1 ano e meio. “Ao contrário das mulheres, homens que estão em um relacionamento deixam seus vínculos atuais após perderem peso”, escreveu.

Ela conclui: “Se o emagrecimento por meios médicos altera a forma como as mulheres são tratadas no mercado, então o acesso desigual a esses medicamentos também pode determinar quem consegue evitar as penalidades sociais e econômicas associadas ao tamanho do corpo”.

Para o Início