A Secretaria do Tesouro Nacional estima em até R$ 6,8 bilhões o custo do Move Brasil Táxi e Aplicativos – linha de crédito para taxistas e motoristas de aplicativos comprarem carros novos, com juros mais baixos que os de mercado.
A estimativa está em nota técnica do Ministério da Fazenda obtida por A Agência via Lei de Acesso à Informação.
O valor máximo do carro novo é de R$ 150 mil, e eles devem ser flex, híbridos, elétricos ou a etanol.

O Move Brasil Táxi e Aplicativos, um dos desdobramentos do Move Brasil, foi lançado por Medida Provisória em maio, com linha de até R$ 30 bilhões em crédito administrada pelo BNDES. Segundo a nota técnica, as financeiras e bancos habilitados pelo BNDES para o programa “assumirão integralmente o risco de crédito das operações”.
Como os juros oferecidos no programa estão abaixo do mercado, o governo paga a conta, mesmo que os motoristas paguem o empréstimo certinho.
A estimativa de até R$ 6,8 bilhões considera o cenário mais custoso possível, com todas as motoristas beneficiárias sendo mulheres. Isso porque a taxa de juros que as motoristas mulheres devem pagar ao governo é de 1,5% ao ano, contra 2,5% para os homens. Já os bancos e financeiras podem cobrar até 8,5% de juros ao ano no programa (bem abaixo da Selic, que caiu ontem para 14,25% ao ano). E o BNDES também recebe a sua parte: até 1,25% ao ano.
Nesse cenário mais custoso, o governo vai arcar com uma razão subsídio/desembolso de 23% – ou seja, para cada 100 reais emprestados, vai receber 77 de volta. Os outros 23 reais são de subsídio para as motoristas.
Numa conta de padaria, os R$ 30 bilhões arcariam com até 200 mil carros, se todos forem de R$ 150 mil. O número de beneficiários pode aumentar se mais gente comprar carros mais baratos.
A nota técnica cita dados da PNAD Contínua que mostravam, no fim de 2024, cerca de 964 mil trabalhadores atuando por meio de plataformas de transporte. Já o Ministério do Trabalho tinha pouco mais de 300 mil taxistas cadastrados em 2022.