WikiLeaks: Boeing pediu a funcionários para pressionar senadores

Boeing não quis comentar o e-mail do WikiLeaks. Foto: Missile Defense Agency

Boeing não quis comentar o e-mail do WikiLeaks.

Foto: Missile Defense Agency

UM VICE-PRESIDENTE DA BOEING enviou aos funcionários da empresa um e-mail incomum. Era agosto de 2009 e o orçamento proposto pelo então presidente Barack Obama reduzia as verbas para o programa de defesa contra mísseis, conhecido pela sigla GMD (Ground-Based Midcourse Defense).

O tenente-general da reserva Tony Jones, então vice-presidente de sistemas e serviços de treinamento da Boeing, pediu a ajuda dos funcionários em Huntsville, Alabama – hoje cerca de 2 700, segundo o site da empresa (a sede é em Chicago).

Diz o e-mail: “Mais do que ninguém, nossos funcionários entendem que o GMD está entre os mais complexos e desafiadores sistemas que existem”.

Mais adiante: “Abaixo vocês encontrarão a informação que muitos pediram a respeito de como deixar seus representantes eleitos saberem que o trabalho que vocês fazem é importante para nossa nação e aliados. Se você, ou outros membros da família, escolherem contatar os representantes eleitos, existem recursos abaixo que espero serem úteis”. Para encerrar, sublinha: “Lembrem-se que todas essas atividades são inteiramente voluntárias e devem ser conduzidas no tempo pessoal. Falem com seu gerente se tiverem dúvidas”.

O e-mail termina com as informações de contato dos gabinetes dos dois senadores e de dois deputados federais pelo Alabama. O texto foi vazado pelo WikiLeaks.

Coincidência ou não, com o tempo Obama reconsiderou o valor dos programas de defesas de mísseis. Foi o que escreveu em 2016 Michaela Dodge, pesquisadora da Heritage Foundation e especialista no assunto.

A Agência enviou e-mail para a assessoria de imprensa da Boeing. A empresa respondeu que não vai comentar.

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